Migrações e Invasões

Matéria: História
Módulo: Idade Média
Descrição:
Bárbaros. Tribos germânicas. Hunos. Reinos bárbaros. Cristianização dos reinos bárbaros. Herança germânica para a cultura medieval.

Bárbaros

Logo após ter conquistado a Gália e afastado os bárbaros para além do rio Reno, César traçou um retrato pouco ameno invasores — que ele considerava incapazes até mesmo de desejar a "civilização". Não obstante, por volta do início do século V, diversos povos de origem germânica romperam as fronteiras do Império Romano. Em menos de um século o fim do Império Romano era inquestionável. Em 476 um rei bárbaro sentou no trono do imperador romano.

Para entendermos o significado desse acontecimento, vejamos antes quem eram esses povos que os romanos chamavam de "bárbaros".

Na Grécia Antiga a palavra "bárbaro" era usada para se referir aos estrangeiros ou não-gregos, e especialmente aos persas. O principal critério para identificar um bárbaro era sua língua: todos aqueles que não falavam o grego ou o falavam de forma imperfeita eram considerados bárbaros.

Na Roma Antiga, a palavra "barbaria" passou a se referir aos países ou reinos estrangeiros e a palavra "bárbaro" passou a ser usada para se referir a qualquer pessoa que vivia fora do Império, especialmente ao norte de duas fronteiras.

Como os povos, tribos e etnias que viviam fora do Império, especialmente ao norte, eram consideradas "não-civilizadas", incultas, ignorantes e até mesmo selvagens e inferiores, a palavra "bárbaro" adquiriu aos poucos o sentido pejorativo associado ao comportamento de pessoas brutais, cruéis ou insensíveis. Os Hunos, um desses povos "bárbaros", eram chamados até mesmo de "animais de dois pés" pelo historiador Amiano Marcelino — talvez por ter ele observado que os hunos "cozinhavam" a carne colocando-a entre o lombo dos seus cavalos e as selas enquanto viajavam.

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É possível que a palavra "bárbaro" seja uma onomatopoeia.png
Onomatopéia é uma palavra cujo som imita ou lembra o som daquilo que ela representa. Por exemplo: "tic-tac", a palavra com que representamos o barulho feito por um relógio, quando pronunciada, produz um som similar ao da própria batida do relógio. As onomatopéias são usadas com frequência nas histórias em quadrinhos, como pode-se ver na figura ao lado.
onomatopéia
derivada de "bar-bar", som parecido ao que se percebe ao ouvir pessoas falarem um idioma estranho. Note a semelhança entre "bar-bar" e a expressão "blah blah blah" com a qual indicamos um falatório em cujo conteúdo não estamos interessados. Inicialmente, portanto, a palavra bárbaro era bem razoável para identificar aquela babel de pessoas que falavam uma língua que mais parecia um balbuciar ininteligível ("bá bá bá").

Embora a palavra "bárbaro" fosse muito usada na Antiguidade para se referir aos estrangeiros como um todo, não faltaram críticos ao seu uso nesse sentido. Um deles foi Platão, que condenou a dicotomia grego × bárbaro. Platão não considerava correto reunir sob um único termo populações com culturas tão diversas. A mesma crítica vale para uso da palavra "bárbaro" pelos romanos. Os romanos chamavan indiscriminadamente de bárbaros as diversas tribos germânicas, os gauleses e os hunos, que não compartilhavam a civilização greco-romana. A palavra "bárbaro" chegou a ser aplicada até mesmo para os primeiros cristãos.

Contudo, é preciso não esquecer que de fato havia um contraste entre a sociedade romana e as sociedades "bárbaras". As cidades e o modo de vida urbano, a existência de uma elite "letrada" e a indústria de bens de luxo era uma característica do Imperio Romano pouco comum além de suas fronteiras.

Os medievalistas usam atualmente a palavra "bárbaro" para se referir de forma não pejorativa aos povos que os romanos foram encontrando durante a expansão de seu império e que eles consideravam "estrangeiros". Vejamos então quem eram esses povos bárbaros viviam além das fronteiras do Império Romano pouco antes de sua queda.

Tribos Germânicas

Invasões bárbaras

Cristianização dos bárbaros

A cristianização dos territórios que compunham o Império Romano levou cerca de 500 anos. Por volta de 800 D.C., a maior parte do território que fazia parte do Império Romano havia se convertido ao cristianismo. Por volta do ano 1000 já era possível encontrar comunidades cristãs desde a Groelândia até a China.

Não se trata apenas de uma mudança de fé religiosa. A conversão dos bárbaros à cristandade implicava a adoção de costumes e valores característicos do mundo romano e mediterrânico. Podemos citar como exemplos desse processo de uniformização cultural:

  1. o costume de ler e produzir livros;
  2. a adoção do latim como lingua comum;
  3. a incorporação do direito romano ao sistema de normas;
  4. o hábito de viver em cidades e de usar a moeda como meio de troca.

Os reinos bárbaros que emergiram com a queda Império não apenas adotaram o cristianismo mas também, com ele, boa parte do legado cultural de Roma. Ao mesmo tempo que o cristianismo sentava raízes nos reinos bárbaros, na parte oriental do antigo Império Romano, com o aparecimento de Maomé e o surgimento do Islão, o cristianismo sofria um importante recuo, passando a ficar na defensiva.

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